Revista Brasileira de Literatura Comparada

A Revista Brasileira de Literatura Comparada aceita submissões que enfoquem a Literatura Comparada, em qualquer língua, tanto a partir de uma perspectiva nacional quanto de quadros de referência para além do nacional que discutam os laços cosmopolitas da uma variedade de tradições literárias.

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Publicado: 2020-02-03 Mais...
 

Chamada v. 22, n. 40 (2020): Revista Brasileira de Literatura Comparada

 

Epica e modernidade. Espaços, limites e transgressões de um gênero clássico em renovação

A partir da modernidade literária inaugurada com as estéticas da originalidade próprias do Romantismo, a poesia épica passa a ocupar uma posição contraditória, em que a crítica à normatividade que caracterizava o gênero convive com o alto grau de canonicidade a ele atribuído pelas literaturas nacionais em ascensão. Conservando o sentido básico de narrativa sobre feitos heroicos relevantes para uma coletividade, a épica sobreviverá transformada ou dissociada do verso: a partir de Ossian e Chateaubriand, temos a incorporação de novas e radicais possibilidades formais que redesenham os limites do gênero, abrindo-o para o uso da prosa. Com essa abertura, o romance histórico se apresenta como sucessor (ou substituto) do poema épico, sobretudo na medida em que a ação heroica que esse representa está, na sua forma mais tradicional, associada a uma dimensão do maravilhoso pouco convincente para o leitor do século XIX.

No Brasil, esse será o momento para a ascensão de José de Alencar, que, após condenar Gonçalves de Magalhães por não obedecer às normas do gênero, renova-o por meio da publicação de romances históricos, visando abranger o Brasil na sua totalidade geográfica e diversidade cultural. Nas obras de Magalhães e Alencar, encontram-se dois modelos de relato fundacional, em que a representação do momento da origem da coletividade nacional tem evidente apelo identitário, confirmando o estatuto do texto épico como, em última instância, uma reflexão sobre o presente. Do outro lado do Atlântico, Almeida Garrett busca a renovação formal do poema épico para propor uma representação da figura de Camões que corresponde, em grande medida, a uma mobilização identitária correlata à dos brasileiros.      

Seguindo a tradição épica, a busca do momento de fundação ou inflexão relevante da história da coletividade nacional é complementada por intermédio do esforço de representar a totalidade da experiência histórica e geográfica da coletividade, na composição de amplos painéis e catálogos descritivos. À medida que o século XIX avança, amplia-se o horizonte dessa totalidade: ao lado de textos em que o âmbito nacional se inscreve de maneira ambígua em narrativas universalistas (como o Colombo, de Araújo Porto-Alegre, o Guesa, de Sousândrade ou A morte de Dom João, de Guerra Junqueiro) introduzem-se, na virada do século, as assim chamadas “epopeias da humanidade” de Teófilo Braga ou Gomes Leal. 

Tendo como pano de fundo esse panorama fértil e mutável, este volume da Revista Brasileira de Literatura Comparada propõe, além de buscar evidenciar as transformações por que passou a épica enquanto discurso totalizador em verso ou em prosa, examinar como se verificam as apropriações e transposições de fronteiras entre os gêneros literários, qual é o diálogo em termos de afirmação ou contraposição que se estabelecem entre as produções literárias realizadas, como se dão os deslocamentos de tempo e de geografias no contexto das literaturas lusófonas.

Organizadores: Roger Friedlein, Ruhr-Universität Bochum; Marcos Machado Nunes, Ruhr-Universität Bochum; Regina Zilberman, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Prazo para envio dos originais: 05 de março de 2020

 
Publicado: 2020-02-03 Mais...
 
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v. 21, n. 38 (2019): Revista Brasileira de Literatura Comparada

Sumário

EDITORIAL

EDITORIAL
Franklin Alves Dassie
01

ARTIGOS

François Weigel
02 - 15
Alexander Beecroft
16 - 32
Roberto Mibielli, Sheila Praxedes Pereira Campos, José Luís Jobim
33 - 40
Rogério Da Silva Lima
41 - 46
André Dias
47 - 55
Leonor Arfuch
56 - 63
Maria Elizabeth Chaves de Mello
64 - 73
Betina Ribeiro Rodrigues da Cunha
74 - 85
Maria Cristina Ribas, Fernando Monteiro de Barros
86 - 100
Carlos Pires
101 - 117
José Rosa dos Santos Júnior
118 - 127
Antonio Barrenechea
128 - 137

RESENHAS

RIVAS, Pierre. Littérature française – Littératures lusophones : regards croisés. Paris : Pétra, 2016. 2e édition augmentée. 378 pages
François Weigel
138 - 139
FIGUEIREDO, Eurídice. A literatura como arquivo da ditadura brasileira. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017. 177 p.
Rogério Mattos
140 - 146