Chamada v. 23, n. 42 (2020): Revista Brasileira de Literatura Comparada

Literatura Comparada na era da pós-teoria

 Os “Estudos Pós-” romperam a unidade da Teoria da Literatura, duramente alcançada nas primeiras décadas do século XX, depois de vencer a concorrência com as Ciências Sociais, a História e a Psicologia, que lidavam com seu objeto sem prestar contas à Poética. A relevância dada a sujeitos até então obscurecidos, como autores de jovens nações nascidas do processo de descolonização, passando por criadores e personagens entendidos desde sua orientação sexual, até temas de clara inscrição política, como a repressão policial, o meio ambiente, a insurgência ou o testemunho, desarmou o posicionamento em princípio imparcial e desapaixonado pretendido pela Teoria da Literatura de base estruturalista, dominante desde os formalismos dos anos 1920 e 1930 até as décadas 1960–1970.

Vertentes que direcionaram os estudos literários e culturais nas décadas subsequentes parecem, contudo, exauridas, dada a reiteração de muitos de seus achados. Talvez seja o momento de pensar os rumos da pós-teoria, cujas bases podem ser discutidas e, se possível, articuladas às propostas da Literatura Comparada.

Submissões posicionando-se diante desse conteúdo serão muito bem recebidas pela Revista Brasileira de Literatura Comparada.

Organizadores: Gerson R. Neumann; Regina Zilberman

Prazo para envio dos textos: 30 de setembro de 2020.

 

Call for papers

 Comparative Literature in the Era of Post-Theory

 “Post-Studies” (Cultural, Colonial, Gender Studies) broke Theory of Literature’s hard-earned unity, achieved in the first decades of the 20th century, after it overcame the competition of Social Sciences, History and Psychology, which disregarded the study of the bond between literary creation and Poetics as a science in its own right. The relevance given to previously ignored subjects, ranging from authors born in nations recently emerged from the decolonization process, to creators and characters understood from the point of view of their sexual orientation, or to topics of clear political inscription, such as police repression, the environment, insurgence or testimonial literature, disarmed the position — which was meant as impartial and dispassionate — of a Theory of Literature based on Structuralism, which had been in force since the formalisms of the 1920s and 1930s, until the 1960s–1970s.

Trends that guided literary and cultural studies in subsequent decades seem, however, to have hit a wall, given the persistent reiteration of many of its findings. Perhaps it is time to think about the directions of Post-Theory, whose bases can be discussed and, if possible, articulated with the proposals of the field of Comparative Literature.

The Revista Brasileira de Literatura Comparada welcomes submissions related to those topics.

Edited by Gerson R. Neumann; Regina Zilberman

Deadline: September 30th, 2020.