Necessitamos ser domesticados ou até quando? (Sobre artes verbais ameríndias e o contato com indígenas brasileiros)

Necessitamos ser domesticados ou até quando? (Sobre artes verbais ameríndias e o contato com indígenas brasileiros)

Devair Antônio Fiorotti*

*Universidade Federal de Roraima (UFRR), PPGE-Universidade Estadual de Roraima, CNPq.


RESUMO:

Este trabalho se pergunta sobre as artes verbais ameríndias, a partir dos gêneros eren, taren, panton da etnia macuxi, de Roraima, Brasil. Pergunta-se ainda sobre a forma desastrosa como se deu o contato entre indígenas e não indígenas e apela para a necessidade premente de nos aproximarmos de tais artes verbais e povos indígenas, não como colonizadores genocidas, mas como aprendizes.

Palavras-chave: Artes verbais ameríndias. Macuxi. Genocídio indígena.


ABSTRACT:

This paper wonders about the Amerindian verbal arts, from eren genres, taren, panton the macuxi ethnicity, Roraima, Brazil. We also asked about the disastrous nature of contact between indigenous and non-indigenous peoples and called for the urgent need to approach such verbal arts and indigenous peoples, not as genocidal settlers but as apprentices.

Key words: Amerindian verbal arts. Macuxi. Indigenous genocide.


 

hoy
en mi pueblo

el hambre es rebeldía
y la poesía una máscara
donde oculto el verso amargo
alimento de este canto
y en la boca de mi pueblo
la tortura de cada día.
Graciela Huynao[1]

Em Roraima, eu tinha acabado uma palestra no evento Literatura em Roraima, em 27/06/2018, promovido pela UFRR, quando alguém usou a palavra domesticado, entre aspas, para dizer que necessitaríamos ser domesticados pelos indígenas. Isso gerou uma boa discussão e minha fala foi (e mesmo neste texto é, em tom provocativo) no sentido de retirar essas aspas. Tentarei construir neste texto uma fala num lugar do discurso do outro genocida (não sou um indígena e possíveis leitores deste texto, em quase totalidade, também não), defendendo a necessidade de sermos domesticados pelos indígenas. Chegamos a um momento crucial no Brasil, por exemplo, em relação às questões ambientais. Nunca precisamos tanto ouvi-los.

É comum chegarmos às comunidades indígenas e encontrarmos animais de estimação bem diferentes dos nossos: caititus, araras, papagaios, macacos. Inclusive alguns são alimentados no peito pelas mulheres, passarinhos são postos a comer nas bocas das próprias indígenas. Esses, em geral, não vão para a panela, tornam-se familiares, são trazidos ao ambiente da casa, pertencem a ele: são os xerimbabos dos indígenas. Durante pouco mais de 500 anos, nós tentamos domesticar os indígenas. Sim, domesticar. Eram vistos como sem alma desde a carta de Pero Vaz de Caminha e, até hoje, igrejas invadem comunidades indígenas para salvar suas almas, como a Missão Novas Tribos.[2]

Tentamos trazê-los para a nossa cultura. Até a Constituição de 88, isso nem era disfarçado, sob a alcunha da integração. Os índios deveriam ser integrados à comunidade nacional. A nossa integração genocida não terminou, forçadamente índios guarani-kaiowás, principalmente jovens, nesse exato momento, estão morrendo sobre nossa sombra no Mato Grosso do Sul. Diz Spensy Pimentel estudioso do povo guarani-kaiowá:

Suicídios acontecem no mundo inteiro – mas, quando, em um mesmo lugar, ao mesmo tempo, muita gente está se matando, é porque tem algo muito esquisito, muito grave acontecendo aí. Estamos falando de uma população de menos de 50 mil pessoas (povo Guarani e Kaiowá), sendo que já aconteceram mais de 1.100 casos nos últimos 35 anos” (Apud CIMI, 2016).

Abaixo dados precisos dos últimos 17 anos de suicídios indígenas no Mato Grosso do Sul:

FIG1
Fonte: CIMI (2018, p. 116)


Nesse exato momento, yanomamis estão morrendo de gripe (e outras doenças virais) e de ataques de garimpeiros. O relatório do CIMI 2018 (dados de 2017) faz duras críticas à presença de garimpeiros em terras yanomamis. Abaixo, uma postagem no Facebook de Mozarniel Yanomami, cineasta do povo yanomami, responsável pelo belo documentário Urihi Haromatipë – Curadores da Terra-floresta.[3] No post, ele em sua linguagem não formal, já que é falante yanomami de primeira língua, diz que dez parentes haviam morrido. Na resposta abaixo do post, ele diz o motivo: gripe.


FIG2
Disponível em https://www.facebook.com/morzaniel.yanomami. Acesso em 15/06/2018

O que esses dados demonstram é a violência que vêm sofrendo os povos indígenas no Brasil. Quando não os domesticamos, os matamos de forma variada. Doenças como gripe, sarampo ainda são um problema, principalmente pela negligência do estado quanto à saúde pública nessas regiões. Suicídios e assassinatos são outros, como nitidamente e sistematicamente apontam os relatórios da violência contra indígenas do CIMI.[4]

Antes de continuar, tendo já esse pano de fundo mínimo, ideológico e político estabelecido, esclareço que esse texto terá dois pontos a serem desenvolvidos. Esse primeiro, já trazido minimamente até aqui, e o das artes verbais dos indígenas macuxis de Roraima, povo karib. Não farei uma análise aprofundada das artes verbais trazidas nesse texto, somente uma apresentação de suas possibilidades. Localizarei primeiro um pouco sobre o que seria Roraima, antes que alguém o confunda com Rondônia. Sim. Somos um estado praticamente desconhecido e quase economicamente insignificante.

FIG3
Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roraima

Roraima é situado na região Norte do país, sendo o estado mais ao norte da federação. Faz limite com a Venezuela e República Cooperativista da Guyana; ainda, internamente, limita-se com o Pará e o Amazonas. Sua área aproximada é de 224.300,506 mil km², apresentando-se como o décimo quarto maior estado brasileiro. A sede do Governo de Roraima fica em Boa Vista, capital  brasileira totalmente ao Hemisfério Norte. É o menos populoso do país, com cerca de 514 229 habitantes, segundo estimativas de 2016 do IBGE. É, também, o que apresenta a menor densidade demográfica na federação, com 2,25 hab/km². Sua economia baseia-se principalmente no setor terciário.[5] Contudo, proporcionalmente, Roraima é o estado do país com a maior população indígena, com 11% da população se autodeclarando indígena (IBGE, 2012, p. 11). Ao todo, segundo o Censo 2010, 49.637 pessoas se declararam indígenas no estado. Esses números precisam ser atualizados, já que se passaram oito anos, mas ajudam-nos a pensar a realidade local.

***

O que entendemos por gênero literário não está presente somente nas línguas de poder ou dominantes. Isso parece óbvio, mas merece ser dito, repetido. Estruturas coloquiais e não coloquiais também estão presentes em línguas indígenas, africanas, por exemplo. Nádia Farage mostrou isso muito bem em relação ao povo wapishana, presente principalmente em Roraima e na Guiana Inglesa (FARAGE, 1997). Para mim, principalmente, faz-se necessário no mínimo questionar o porquê de, ainda hoje, sermos obrigados a nos adequar a um padrão de literatura criada e estabelecida como boa, na grande maioria, por homens brancos de meia idade, pertencentes quase sempre à chamada “elite” cultural, como questionou Hunt (2010), por exemplo, em relação à aceitação da literatura infanto-juvenil, ou demonstrou Dalcastagnè quanto à literatura brasileira contemporânea (2005). Tal perspectiva desconsidera, quase sempre, a possibilidade de a literatura existir de forma oral, numa estrutura de linguagem não padrão (Ver ZUMTHOR 2001, 2007, 2010). De antemão esclareço que a perspectiva deste texto questiona a forma como lidamos com textos oriundos da oralidade, por exemplo. Em outro momento, já demonstrei como textos de origem oral apresentam estruturas similares às que em geral são aceitas como literárias (FIOROTTI, 2002).

Atenho-me aqui ao povo macuxi e suas artes verbais. Farage, por exemplo, identifica os gêneros usados em reuniões. Apresento três gêneros das artes verbais do povo macuxi, ligados ao que nós aceitamos, no geral, como literário: taren, eren e panton. Um trabalho mais detalhado sobre esses gêneros foi publicado na revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, da UnB (FIOROTTI, 2018). Apresento-os como forma de propiciar uma discussão sobre o que estamos fazendo com o arcabouço cultural brasileiro, destacadamente imaterial, como as dezenas de culturas originárias brasileiras.

Os macuxis são um povo karib, que vive na região da tríplice fronteira Brasil-Venezuela - República Cooperativista da Guyana, região etnográfica conhecida como circum-Roraima (COLSON, 1985). É a etnia mais populosa em Roraima, com 28.912 pessoas (IBGE, 2012). A importância da etnia se traduz, por exemplo, no fato de qualquer pessoa que nasça em Roraima se auto intitular e ser intitulada como macuxi, independentemente de ser indígena ou não.

Taren[6] são palavras mágicas de cura, com plural tarenkon, quem efetua o taren é tarenponkon, o responsável pelas palavras mágicas de cura. Se, por um lado, praticamente não há mais pajés na região da Terra Indígena São Marcos ou da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, os tarenponkon ainda existem. É possível encontrar alguns pajés, mas vivendo de forma muito sincrética. O pyasa, o pajé, foi o mais atacado com a chegada das religiões fundamentalistas. Praticamente deixaram de existir ao serem acusados de feitiçaria. Contudo, tarenponkon há muitos ainda, em geral homens, mas não somente, sendo que seu aprendizado se dá, quase sempre, por meio familiar, quando do nascimento dos filhos, já que as palavras mágicas serão utilizadas principalmente para curar as crianças.

Trago aqui dois erenkon. O primeiro proferido por Terêncio Luiz Silva,[7] da comunidade Ubaru, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e o segundo de Vitor da Silva,[8] comunidade Guariba, na Terra Indígena São Marcos.

Taren I
Ayekaton ener rîwai
Itekatom ener rîwai
Urîsane kintî,
Yo'piya tî
Komiruwana piya tî, awuuku
Wanapiatî
Teteta ire'panîpî
Waitî, innîrî ne'ne'pe awanî pepîn
Tîwansikaton pepî, innîrî, tonrîn
Itetetawon iwuuko pona
Irepannîpîpî wai yanne'kentî
Yauyo' wamapiati, kumeru piatî[9]

[Eu trouxe teu espírito
Eu trouxe espírito dele
Coitado de mim
Posso te ajudar
A sua bebida
Como pode emendar capim
Trazer na rede
Nunca mais vai ficar doente
Nunca mais terá dor de coração
Dentro da sua rede
Eu estou chegando, amigo
Eu estou aqui, também estou aqui]

Taren II
Urî sane tî, urî sane tî Insikiran pia
Sene moi’ e’tarîmo’tî pî wai tî piri’ya enato’pe
Î’ pî iteparan era’tisa, o’ma ya ira’tisa, paran ya yapî’sa
Yannanî pî pî wai tî urî tî Insikiran pia tî
Insikiran pia ya imasa’kapî mantî
Anike pia ya i’masa’kapî mantî
Makunaimî pia ke imasa’ka pî wai tî
tumasi yenî pan nî pî’ wai tî
Kumi ya wanî tî ke, yennî pan nî pî’pi wai tî, i’masa’kapî wai tî
Inîrî piri ya para wanî ton pe para, i’masa’kapî wai tî,
Urî tî Insikiran pia, Anike pia se tî,
Makunaimî pia ke i’misa’kapî wai tî
Inîrî piri ya para enato’ pe para i’masa’kapî wai tî urî sane tî
Insikiran pia se tî.

Eu sou eu, eu sou eu filho do Insikiran.
Estou rezando este menino pra ele ficar bom,
Porque a doença virou nele, bicho virou ele, doença pegou.
Fiz ele melhorar. Sim, sou filho do Insikiran.
O filho do Insikiran fez ele levantar, filho de Anikê fez ele levantar.
Com filho de Makunaima fiz ele levantar, fiz ele comer.
Com pussanga fiz ele ficar esperto, com Makunaima, com pussanga,
Com minha comida, com minha peneira.
Com meu mel fiz ele ficar bom.
Fiz ele levantar pra ele nunca mais ficar doente, fiz ele levantar.
Sou eu filho de Insikiran, filho de Anikê, filho de Makunaima.
Fiz ele levantar, para nunca mais ele ficar doente.
Fiz ele levantar, sim, sou eu filho do Insikiran.

 

O primeiro taren nos propicia aproximarmos do mundo do tarenponkon, como aquele que pode curar, cuja palavra permite o próprio movimento de cura. Ele trouxe o espírito, e reclama da tarefa [coitado de mim] provavelmente dura. O tarenponkon vem como amigo, para sarar a dor do coração. Já o segundo taren evoca os irmãos Insikiran, Aninkê e Macunaima, com ênfase ao primeiro. Heróis míticos de Roraima, já tão conhecidos, desde o livro Macunaíma, de Mário de Andrade. O trabalho do tarenponkon envolve formalidade, mudança da entonação de voz. Sempre que vejo um tarenponkon em ação, percebo que as palavras ali proferidas pertencem a um ambiente muito distante das falas coloquiais macuxis. Há todo um cuidado, uma preocupação com o belo na execução das falas. Em geral, são frases curtas, aproximando-se daquilo que conhecemos como verso. Já presenciei durante uma gravação, um tarenponkon repetir três vezes um taren, em suas palavras, até pronunciá-lo de forma correta.

Já o eren é canto, possuindo plural erenkon. Para um estudo mais aprofundado, remeto ao artigo supracitado Eren, taren, panton (FIOROTTI, 2018). Trago aqui dois erenkon cantados por Terêncio Luiz Silva. Eles compõem um livro a sair pelo Museu do Índio do Rio de Janeiro com 79 cantos indígenas de Roraima. O primeiro é um marapá, canto noturno, mas que também pode estar relacionado aos indígenas saparás, que não possuem mais falantes da língua, somente alguns indivíduos que se identificam como sendo da etnia em Roraima.

marapá 1

anî’kin pi’pî anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
akuri pi’pî arawata pi’pî asanpurari pîkîno
anî’kin pi’pî anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
akuri pi’pî arawata pi’pî asanpurari pîkîno
arawata pi’pî iwarîka pi’pî asanpurari pîkîno

anî’kin pi’pî anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
anî’kin pi’pî anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
akuri pi’pî  arawata pi’pî asanpurari pîkîno
arawata pi’pî iwarîka pi’pî asanpurari pîkîno

anî’kin pi’pî anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
akuri pi’pî arawata pi’pî asanpurari pîkîno
arawata pi’pî iwarîka pi’pî asanpurari pîkîno

anî’kin pi’pî anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
akuri pi’pî iwarîka pi’pî asanpurari pîkîno
arawata pi’pî iwarîka pi’pî asanpurari pîkîno

anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
anî’kin pi’pî asanpurari pîkîno
akuri pi’pî arawata pi’pî asanpurari pîkîno
arawata pi’pî iwarîka pi’pî asanpurari pîkîno

 

marapá 1

de quem é o couro do tambor
de cutia de guariba é o couro do tambor
de quem é o couro do tambor
de cutia de guariba é o couro do tambor
de guariba de macaco é o couro do tambor

de quem é o couro do tambor
de quem é o couro do tambor
de cutia de guariba é o couro do tambor
de guariba de macaco é o couro do tambor

de quem é o couro do tambor
de cutia de guariba é o couro do tambor
de guariba de macaco é o couro do tambor

de quem é o couro do tambor
de cutia de macaco é o couro do tambor
de guariba de macaco é o couro do tambor

de quem é o couro do tambor
de quem é o couro do tambor
de cutia de guariba é o couro do tambor
de guariba de macaco é o couro do tambor

Optei na tradução desse canto em manter as repetições e ainda enfatizá-las buscando um efeito estético relacionado ao som do tambor. A repetição aqui torna-se aspecto estético fundamental da poética do eren (FIOROTTI, 2017). Ainda, há uma preocupação estética na distribuição do verso em macuxi e em português bem como de destacar palavras pelo uso do negrito ["cou", "bor"]. Ironicamente ao cantar tocando o tambor, o cantor refere-se à própria construção do tambor, dizendo que ele é feito de couro de macaco guariba, de cutia.

O segundo é um tukui, canto ligado principalmente aos pajés (FIOROTTI, 2018):

tukui 5

piya piya napîrîkîtîpî
piya piya napîrîkîtîpî
kamara tî kamara  aramak ît aramak
kamara tît aramak kamara tît aramak
piya piya napîrîkîtîpî
piya piya napîrîkîtîpî
kamara tî kamara  aramak ît aramak
kamara tît aramak kamara tît aramak
piya piya napîrîkîtîpî
piya piya napîrîkîtîpî
kamara tî kamara  aramak ît aramak
kamara tît aramak kamara tît aramak
piya piya napîrîkîtîpî
piya piya napîrîkîtîpî
kamara tî kamara  aramak ît aramak
kamara tît aramak kamara tît aramak
piya piya napîrîkîtîpî
piya piya napîrîkîtîpî
kamara tî kamara  aramak ît aramak
kamara tît aramak kamara tît aramak

                    tukui 5


o homem pegou o eco
no princípio
prendeu Kamara
com ele aprendeu a falar

Nesse canto, nos é dito com quem os homens aprenderam a falar, Kamara, o eco, também aquele que pode roubar a voz. Ele o pegou, prendeu-o e com ele aprenderam a falar, mas não foi em qualquer momento: no princípio, lá onde os indígenas começaram sua história mítico-social. Nesse poema, optei por traduzir o texto sem todas as repetições presentes nos versos originais. A maioria dos cantos traz uma espécie de mote, uma frase geradora. É sobre essa frase que fiz a tradução.

O terceiro gênero das artes verbais ameríndias é o panton (ver FIOROTTI, 2018), plural pantonkon. Panton é o ambiente das narrativas que contam a existência do povo macuxi, sua história, sua cosmogonia. O narrador escolhido é Terêncio Luis Silva, como dito, da comunidade Ubaru. Ele é conhecedor como poucos da cultura macuxi e foi um dos criadores do CIR (Conselho Indigenista de Roraima), principal entidade de defesa dos direitos indígenas em Roraima. Aqui, ele narra as travessuras dos irmãos Anikê e Insikiran, irmão de Macunaima, contra o Piaimã, mesmos personagens do livro de Mário de Andrade, Macunaíma. Trago aqui parte das aventuras dos irmãos famosos, primeiramente, registrados por Koch-Grünberg,[10] em 1913 e também presentes na narrativa de Terêncio Luis Silva:

Terêncio Silva [TS] : Não, mas, aí, eu só quero contar só uma [história] que eu achei interessante, muito importante. Que eles [Anikê e Insikiran] andavam junto. Os dois, né, os dois irmãos. Aí chegaram lá num, num lugar, eles paravam, porque tudo era mata, é montanha, tinha esses animais, tinha esses animais aí, essas feras, né. Aí chegavam lá, diz que tão lá, cortando assim [o cabelo], por que eram cabeludo, né, cortavam de um jeito, não sei como era que fazia. Aí apareceu esse Piaimã: "O que que tão fazendo?" "Não, nós tamo cortando o cabelo. Cortando aqui, tirando aqui. Tiramo aqui um pouco." "Ah, também, também façam em mim, né, do mesmo jeito que vocês têm." "Eh, mas só que é meio sofrido!" "Por quê?" "Não, porque a gente tira, tira o... tem que tirar o couro, a pele, ohh, o couro da cabeça. O senhor vai aguentar?" "Não, pode aguentar!" "Tá bom então, vamo aí, vamo fazer então." Aí o que que ele faz: se sentou, botaram o vovô: "Senta aqui", chama-se tataravô, ele de vovô; "Amo'ko eretakî sepata' [vovô, sente-se aqui]". Sentavam aí, aí começaram cortar: Tchan, tchan, tchan, tchan, tchan, cortaram. E disseram: "O senhor não vai gritar, faz só um sinalzinho: tiiiiiiiiii, assim, bem fininho, não vai". Aí cortaram aqui, Tchannnn! [passa a mão pelo couro da cabeça]. Mas só maltratando mesmo. Aí foram cortando aqui, tirando a pele, né, o couro cabeludo aqui. Tiraram, coitado, deixaram ele mesmo já sangrando. Aí fizeram um, um molho de pimenta com semente, com tudo, assim, machucaram, aí foram passar, aí passaram. Aí disseram pra ele: "Bom, vovô, o senhor fica aqui, nós vamo pr'ali, nós vamo." "Tá bom". Deixaram ele aí. Eita, mas que dor, né! E a pimenta, né, a semente tudo grudado na cabeça. Foram embora. Aí andaram muito longe. Eu digo: agora esse, esse Piaimã vai enlouquecer, de que ele já sabia. De repente, ele já desconfiou: "Ah, não! Eles fizero foi mal, malvadeza comigo. Ah, eles fizero! Ah, não! Vou atrás!" Aí ele, já esse, esse bicho já, já conhecia. [...] Ele também sabia rastejar por onde pessoa ia e também ia pelo rastro. Sai por onde pessoa ia, ohh. Foram, foram andando atrás e foi atrás aí disse: "Olha!". Eles já sabiam também, eram sábios, né, pessoas que adivinhavam: "Ah, o bicho já vem, vai nos agarrar aqui. Vamo já, vamo já correr! Vamo em frente!". Começaram correr muito. E correram, correram, correram muito, correram demais, correram, correram. E esse aí, essa carreira que eles faziam não era só com dia não. Era, era mês correndo. Ehh, aí passaram dias e noites e meses e meses aí, a cabeça, né, aí que cheia de pimenta não inflamou, mas aí ficou, foi sarando, só que a semente aí não, não caiu, né, porque ficou grudado. Aí dizem que a semente enraizou, né. Foi nascendo na cabeça [Risos]. Foi engraçado, viu.
Devair Fiorotti [DF]: [Risos].
TS: [Risos]. Semente foi nascendo na cabeça do, do, do, do...
DF: Do Piaimã.
TS: Piaimã, né. Aí correndo atrás. Disse: "Eu pego! Um dia eu pego!" Aí corria atravessando o mundo, ia embora, e atravessava mar, e aí foi, e aí a semente foi enraizando, foi crescendo também. Foi a pimenta. Aí com meses e meses a pimenta já foi dando já, a frutinha, né. Deu frô, depois deu a pimenta. Aí a pimenta foi madurando, ficou assim, aí o bicho correndo, e eles na frente. "Rapaz, nós vamo embora!". Aí o [Piaimã] correndo por aí, aí a pimenta já madurava. Aí já, como já tava bem maduro já, caía, né. Aí, aí misgalhava ali. O passarinho mesmo comia, ali que tava no chão. Aí, aí foi espalhando, diz que a semente foi nascendo também. Deu, caiu no chão e aí a semente já começou nascer. E o passarinho comia ali e aí os aracuã que gostam. Aí foi levando. Aí diz que por onde caiu a semente, e a pimenta começou brotar também no chão. Eh, por onde o Piamã passou, como história diz assim: que hoje, maior parte dessas matas que você vê enquanto, a pimenteira até hoje tem pimenta.
DF: Ahã.
TS: A pimentinha beeem redondinha assim, diz que era do Piaimã, que caiu da cabeça, e outras pimenta também. Outras pimentas também, que foi adquirida, que foi desde esse aí, que a pimenta deu pra todo lado. Aí foi, mas chegou o fim. Que foi muito, durante meses, e mês e mês, aí foram cansando esses dois, né. "Olha, mano, agora tamo, com'é, tamo pebado. Agora vamo, vamo se entregar. O bicho vai comer nós." "Não", um diz. "Não, ninguém não vai, não vai se entregar assim fácil." "Mas tamo cansado! Não aguenta, ninguém aguenta não. Vamo..." Aí foram já pensando, já pra terminar a história, né.
DF: Termina não [Risos].
TS: Termina assim. E foi chegando assim. Digo: "O que que vamo ser agora? Vamo se transformar em alguma coisa. Nosso pai fazia transformação, né, faz, agora e nós também temo poder". Um tinha mais poder. Eles eram tudo poderoso, né, que tinham seu poder. Aí começaram falar: "Vamo, vamo ser o quê? Vamo virar uma árvore aqui, pra ficar, aí o bicho chega e não conhece." "Não, mais aí fica difícil. Árvore, o pessoal vai nos cortar. Aí deixa secar, e vão colocar a gente no fogo, vão queimar a gente." "Então ninguém, ah, então ninguém aceita. Vamo lá, o que que nós vamo ser?" "Capim, capinzinho baixinho!" "Não, também não. Por quê? Porque o pessoal, quando o capim já tá grande e seco, vão botar fogo, atear fogo, aí nós vai, nós vamo queimar, vão queimar nós." "Que então?" Aí foram ver. "Água? Água, água também eles vão beber a gente, né, vão, né, não vai ser bom." Aí foram pensando, pensando,  até que chegaram no ponto. Um disse: "Rapaz, vamo fazer o seguinte. Vamo transformar em vento, o vento, né. O vento, esse temporal, assim, porque vento, eles nunca vão conseguir nos pegar, né. Não, ninguém. Porque a gente fica, fica pra sempre, né, o vento. O vento. Aí ninguém faz mal a ninguém. Nós vamo ficar só ali mesmo." Ele disse: "Ah, então, então feito." Aí diz que ele já vinha perto, digo, "Rapaz, já tá perto, já pega, vão pegar vocês e comer". A intenção era de vingar, né. Vingar.
DF: Ahã
TS: Porque fizeram maldade com ele, que já tanta pimenta enraizada e pimenta caindo aí pelo caminho, que não era fácil não. Aí, aí o que que faz: "Eh, deixa ele chegar mais perto". Aí chegaram. Que eles pararam um pouco assim. Lá vem! "Ah, agora a gente pega mesmo. Agora eu pego, agora vocês não vão escapar. Sei que agora vocês vão ter que se entregar." Aí eles partiram. "Vamos correr, agora vamos partir mesmo toda velocidade pra, pra nós transformar." Aí partiram. Fizeram dar o tchau mesmo pra ele. "Eh, pode ficar pra lá que aqui não vai mais nunca, vai pegar a gente." Aí partiram aquele de vez mesmo. Correram, quem sabe uns mil metros, ou menos. Desapareceram, aí só deu aquele vento: Shhhhhhhhh [imita o barulho do vento]. Pronto, aí acabou a história. Aí pronto, aí o bicho quando olhou não viu mais nada e pronto. Assim é história, né, que eu sei em parte, parte desse. Agora tem muitos história, né, mais aí.

Nesse panton, destaca-se aquilo que, teoricamente, Lúcia Sá (2004) tão bem identificou nas narrativas do circum-Roraima, a forte presença do trickster, característica que Mário de Andrade também identificou e usou para criar o livro Macunaíma. Ao mesmo tempo, o texto revela como a pimenta, algo tão marcante na culinária indígena de Roraima, se espalhou pela região, a partir de uma travessura dos irmãos Macunaima.[11]

***

Trouxe até aqui uma demonstração dos gêneros taren, eren e panton, do povo macuxi de Roraima. Mas esse não é o objetivo central desse texto, eu já escrevi sobre esses gêneros em outro momento, como mencionado, até de forma mais apropriada. Quero chamar atenção aqui para a perda que significa o desaparecimento desses gêneros das artes verbais ameríndias. Em 1500, estima-se que havia entre três a cinco milhões de indígenas no Brasil, divididas em mais de 1000 povos diferentes (BRANDT, 2014). Segundo a FUNAI, me basearei em dados desse órgão, em 1500 eram três milhões; em 1957, eram 70 mil indivíduos (FUNAI, S/D). Atualmente, chegam a 900 mil pessoas, segundo o IBGE, distribuídas em 305 etnias que falam 274 línguas (2010).[12]

O que esses dados revelam é uma relação genocida, etnocida com os povos originários brasileiros. Fora o absurdo injustificável dessas mortes, aspectos das possibilidades humanas presentes nessas culturas foram destruídas junto com os corpos, com as línguas desses povos. O povo macuxi possui pelo menos os três gêneros literários que elenquei. O que dizer das outras etnias que ainda existem hoje? Que literatura elas produzem? Que literatura é essa? A área de Letras tem de assumir essa responsabilidade para si, de buscar conhecer o que de artes verbais essas línguas possuem. Já perdemos coisas demais e, lidando com literatura oral, temos de ser rápidos, pois morrendo as pessoas, a literatura se vai com elas. Temos uma necessidade de lutar pela integridade dos povos indígenas e combater o genocídio ainda em andamento no Brasil. Valorizar a produção literária desses povos pode contribuir, e muito, para melhorar a relação, no mínimo, tosca que temos mantido com esses povos nesses mais de 500 anos.

Cometemos um equívoco querendo domesticar os indígenas, querendo sobre a alcunha da integração acabar com o que eles são. Mais do que nunca, temos necessidade de sermos domesticados por eles, de nos aproximar do que eles são e aprender com o modo de vida, com a arte que eles produzem, com a medicina que eles conhecem. O acidente no município de Mariana, em Minas Gerais, que contaminou o rio Doce é o grande exemplo nacional, atual, de que há algo errado com a forma com que lidamos com a natureza. Efetivamente nossas escolhas não têm sido as melhores para a manutenção da vida humana.

 

REFERÊNCIAS

BRANDT, Lilian. As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas. Site da AXA, 2014. Disponível em http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/quem-sao. Acesso em 15/10/2018.

CIMI – CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO. “Uma verdadeira situação pandêmica de suicídios de jovens indígenas”, diz estudo da Flacso Brasil, 2016. Disponível em  https://cimi.org.br/2016/06/38594/. Acesso em 10/12/2017.

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Submetido em 14/10/2018; Aceito em 12/12/2018


 

[1]Hoje / no meu povo / a fome é rebeldia / e a poesia uma máscara / onde oculto o verso amargo / alimento deste canto / e na boca de meu povo / a tortura de cada dia [minha tradução]

[3]Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=xdQi6eMSrbc, acesso 3/10/2018

[4]Relatórios disponíveis em https://cimi.org.br/observatorio-da-violencia/ Tais relatórios são o que de mais sistemático têm sido feito para mostrar e denunciar a violência que tem sofrido os povos indígenas no Brasil.

[5]A página mais atualizada sobre Roraima é da Wikipédia, quando tentei referendar as informações acima, tanto o site do Governo do Estado quanto da Assembleia Legislativa estavam em manutenção. A página sobre Roraima na Wikipédia está bem atualizada e referendada: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roraima, principalmente pelo próprio Governo de Roraima.

[6]Projeto iniciado em 2007, primeiro registrou 29 narradores indígenas de 17 comunidades da TI São Marcos. Depois, concluiu em 2014 as entrevistas de mais 10 narradores, de seis comunidades, na TI Raposa Serra do Sol. Os narradores estão assim distribuídos: 27 homens e 12 mulheres, sendo por etnia: 24 macuxis; seis taurepangues; seis wapishanas; uma indeterminada. Entre esses merece menção uma etnia cuja tribo enquanto tal não mais existe: uma sapará; e outro que menciona wapishana e sua relação com o nome karapiwa, sinônimo de wapishana ou mesmo da mistura de wapishana com macuxi. Na terceira fase, iniciada em 2015, o projeto está registrando e analisando cantos, rezas e superstições de indígenas dessas duas terras. Desde 2007 o projeto é financiado pelo CNPq. A metodologia de coleta e trato com as narrativas sustenta-se principalmente na História Oral (ALBERTI, 2004).

[7]Entrevistado no dia 21 de fevereiro de 2013, da Comunidade Ubaru (Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Pacaraima, Roraima). Entrevista realizada na sede do município de Pacaraima. A metodologia utilizada para coletar as narrativas ancora-se na Metodologia da História Oral. Todos os dados traduzidos aqui pertencem ao projeto Panton pia', de Devair Antônio Fiorotti.

[8]Entrevistado em 20 de março de 2009, na Comunidade Guariba (Terra Indígena Alto São Marcos, Pacaraima, Roraima). 

[9]A escrita da língua macuxi que utilizo aqui não é fonética, mas o padrão atual mais utilizado na região estudada por mim, inclusive utilizada em boa parte das escolas da região. Há certo conflito entre uma tentativa oriunda dos linguistas, mais fonética, e a prática em sala de aula. De antemão esclareço que este não é um trabalho voltado à linguística, mas, principalmente, aos estudos literários. 

[10]No Brasil foi traduzido somente o primeiro volume (KOCH-GRÜNBERG, 2006).

[11]Informantes referem-se a eles, mesmo quando Macunaima não aparece, a irmãos Macunaima.

[12]Não há unanimidade em relação a esses dados. O site do ISA, por exemplo, fala em torno de 150 línguas hoje (https://pib.socioambiental.org/pt/L%C3%ADnguas, acesso em 15/10/2018). Bruna Franchetto fala em torno de 160 e diz que: "Calcula-se em cerca de mil o número de línguas nativas nas Américas. Quantas delas existem, ainda, no Brasil? Segundo Rodrigues (2005), seriam entre 170 e 180; Moore (2008) fala de não mais do que 150, a partir de um levantamento bastante cuidadoso, distribuídas em 40 famílias, 2 macro-famílias (troncos) e uma dezena de línguas isoladas." (FRANCHETTO, 2015)

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